PROFESSORES DAS ESCOLAS PARTICULARES DE BELO HORIZONTE E REGIÃO DECIDEM SUSPENDER GREVE E RETOMAR ATIVIDADES
Professores das escolas particulares de Belo Horizonte e região decidiram na tarde de hoje suspender a greve e retomar as atividades a partir desta quarta-feira. A decisão, tomada em assembleia com a participação de mais de 700 docentes, vem também com a permanência do estado de greve e a aprovação de uma nova paralisação para o dia em que o Tribunal Regional do Trabalho julgar o impasse da campanha salarial, previsto para o início de novembro.
A suspensão ocorre depois de o conflito entre professores e instituições de ensino chegar ao Tribunal. Segundo o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG), o TRT reconheceu a legitimidade da greve e as reivindicações da categoria serão analisadas pela Justiça do Trabalho. Os docentes consideraram que, diante desse cenário, o movimento alcançou um resultado que permite interromper a paralisação neste momento.
Em entrevista ao Hoje em Dia após a assembleia, a presidente do Sinpro-MG, Valéria Morato, explicou que a mobilização não foi encerrada. “A assembleia decidiu, já que o Tribunal vai julgar a nossa greve, suspender a greve, mantendo o estado de greve, assembleia permanente e um dia de paralisação no dia do julgamento”, afirmou.
A retomada das atividades também veio acompanhada de uma condição relacionada à reposição das aulas. Conforme Valéria, a forma como o conteúdo será reposto deverá ser discutida individualmente com os professores e não poderá ocorrer durante a semana de recesso de outubro.
“A condição é que a reposição seja conversada com cada professor, cada professora e que também não aconteça na semana de outubro, na semana do recesso”, disse. O sindicato também afirma que acompanhará a situação para evitar demissões de docentes que participaram da mobilização.
PROFESSORES REJEITAM NOVA PROPOSTA
Mesmo com a suspensão da greve, professores e representantes das instituições particulares continuam sem acordo sobre a Convenção Coletiva de Trabalho. Na assembleia desta terça, os docentes rejeitaram a proposta patronal apresentada na última audiência no TRT.
Segundo o Sinpro-MG, a proposta prevê alterações em duas cláusulas da atual convenção: o fim da isonomia salarial e uma mudança na indenização paga em casos de redução da carga horária. A categoria também voltou a rejeitar a divisão da Convenção Coletiva em dois documentos, um para professores da educação básica e outro para os do ensino superior.
Os docentes defendem a renovação da convenção atual sem alterações e reajuste salarial de 3,77%, equivalente ao INPC. Valéria afirmou ao Hoje em Dia que as negociações se estendem há sete meses e que, durante esse período, a categoria reduziu as reivindicações apresentadas inicialmente.
Segundo ela, a reivindicação salarial inicial era de 11,7%, mas os professores passaram a pedir apenas a reposição de 3,77%. Também foram retiradas da pauta reivindicações como direito à desconexão e fim das atividades aos sábados.
“Após sete meses de pressão e de tentativa de negociação, a categoria disse: ‘Basta’. Nós chegamos no ápice, abrimos mão de 11,7%, que era o nosso pleito de reajuste salarial, para 3,77%, que é simplesmente o INPC”, afirmou Valéria.
JULGAMENTO TERÁ NOVA PARALISAÇÃO
A categoria permanecerá mobilizada enquanto aguarda o julgamento no TRT. A previsão informada pelo sindicato é que a análise ocorra no início de novembro. No mesmo dia, os professores pretendem interromper novamente as atividades.
Para Valéria, a chegada do impasse à Justiça do Trabalho foi um dos resultados da mobilização. “Em função da greve, o impasse nas negociações e outras reivindicações dos professores agora serão julgados no Tribunal. Então, foi um movimento extremamente vitorioso”, afirmou a presidente do Sinpro-MG.
A paralisação havia começado na semana passada em meio ao impasse sobre a renovação da Convenção Coletiva. Entre os direitos que o sindicato afirma buscar preservar estão férias coletivas, adicional extraclasse e isonomia salarial.
Por Jardel Gama
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